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Para CRUMA, COMDEMA pode ser um importante porta-voz nas discussões de políticas públicas voltadas ao meio ambiente na cidade

Em reunião, Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente discutiu a necessidade de reorganização e alterações no Regimento Interno, para uma gestão mais atuante e eficaz

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Por Samuel Ferreira

Ao participar da primeira reunião ordinária do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA) em Poá, a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA) expressou sua consideração pelo grande poder que o órgão possui frente às discussões sobre as políticas públicas voltadas ao meio ambiente na cidade.

O mesmo pensamento é compartilhado pelos membros do colegiado que compõe o Conselho, tanto pelo Poder Público quanto pela Sociedade Civil. Por isso, na reunião realizada na Casa dos Conselhos Municipais de Poá, na manhã de segunda-feira (20), o órgão pautou a necessidade de iniciar sua gestão com medidas que visem uma ampla reorganização, até mesmo com alterações necessárias em seu Regimento Interno.

Uma das representantes da cooperativa na reunião, a coordenadora Elza Maria Rodrigues Souza Dias transmitiu a posição da CRUMA em relação ao poder e à importância do órgão nas discussões ambientais.

“O Conselho é muito importante, porque envolve a Secretaria de Meio Ambiente, outras secretarias, a CRUMA e demais órgãos da Sociedade Civil para oferecer mais possibilidade de colocarmos nossos projetos em pauta, assim como a definição do que é de fato o papel da CRUMA, porque alguns não têm muito conhecimento a respeito do que realmente a cooperativa faz hoje, como sempre fez”. Disse.

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Por sua vez, a catadora Maria Madalena Garcia Caldeira – que também representou a cooperativa no evento – afirmou que uma das necessidades urgentes é a construção de um trabalho de conscientização com a população, por meio de Educação Ambiental.

“É preciso um plano de ação para tirar um pouco a sujeira das ruas, ação necessária atualmente, pois os bairros estão todos jogados às ‘traças’, na questão do lixo despejado irregularmente, principalmente na Vila Romana, onde eu moro”, ressaltou.

O Conselho decidiu promover a eleição dos cargos de vice-presidente e secretários em reunião posterior, para garantir paridade entre os membros do Poder Público e da Sociedade Civil, devido ao número maior de membros do Poder Público presente. Os documentos necessários, contendo a pauta da próxima reunião, serão encaminhados aos membros com antecedência. Nessa reunião, prevista para o dia 20 de março, as 9h00, serão discutidas as ações referentes ao Regimento Interno, entre outras.

REORGANIZAÇÃO E EFICIÊNCIA

Segundo a Secretária Adjunta de Meio Ambiente, Juliana Cardoso, que presidiu a reunião, será feito um rearranjo do Conselho e toda a Sociedade Civil já foi convocada a fazer indicação para as vagas disponíveis.

“Primeiro de tudo estamos reorganizando, para reativar o Conselho. Não que ele não estivesse ativo, mas para que a gente possa redesenhar isso, para que ele seja, de fato, operante. Tivemos essa reunião para indicação e nós vamos fazer um decreto para nomear todos os membros. Depois disso, vamos discutir todo o Planejamento Estratégico, rever o Regimento Interno e fazer a votação do vice-presidente do Conselho e dos outros secretários”, disse.

Ainda segundo ela, a primeira pauta a ser discutida será referente ao Regimento Interno, para começar com tudo já organizado, além de ser apresentado o Planejamento Estratégico da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais, para que a Sociedade Civil e todos possam participar da construção conjunta de políticas públicas ambientais.

“O Planejamento Estratégico vai ser apresentado, vamos elencar com a Sociedade Civil quais são os pontos prioritários para a criação de novas políticas e depois vamos discutir alguns temas, como o código único e ações como ‘ecopontos’, entre outras”, afirmou.

IMPACTOS AMBIENTAIS

Umas das questões apresentadas na reunião foi sobre a invasão de saguis (pequenos macacos) em alguns bairros de Poá, fato decorrente do provável impacto ambiental causado pela construção do Rodoanel. De grande relevância, esse problema será verificado pela Secretaria de Meio Ambiente e demais autarquias, bem como apresentado para discussões urgentes nas próximas pautas do Conselho.

O estudante Magno de Oliveira, representante da Sociedade Civil que expôs a demanda, afirmou que esses pequenos primatas passaram a migrar para alguns bairros, como Vila Arquimedes, Vila Idalina, Calmon Viana e Biritiba, onde fazem morada nos quintais das residências. Segundo ele, o fato gerou reclamação dos moradores.

“Esses animais estão invadindo as casas, comendo as frutas das árvores. A questão é que eles são transmissores da febre amarela e há um entendimento de que eles não podem ser prejudicados, porque, na verdade foi o homem que os tirou de seu local, com essas obras do Rodoanel e várias outras obras ao longo dos anos, causando impacto ambiental. Nós queremos que eles sejam levados para um local onde possam ficar e viver de forma digna e que os moradores também possam ter um local seguro”, disse.

Para Oliveira, o Conselho é muito importante, porque a população tem participação, faz seu direito à fala e expõe o problema. Por sua vez, o Conselho tem competência para verificar e ajudar na solução.

FALTA DE INTERESSE E DIVULGAÇÃO

Membros da Sociedade Civil opinaram que, embora o Conselho de Defesa do Meio Ambiente seja importante, a sociedade pouco conhece ou tem interesse pelo mesmo. É o que afirma a Figurinista Vilma Oxando, moradora do Bairro Biritiba, presente ao evento.

“Se a maioria participasse, seria excelente, mas é menos da minoria da sociedade civil que participa. Eles não têm interesse e não sabem que, se a gente reunir mais, será melhor. Todos deveriam participar, mas, todas as vezes que convidamos, estão com compromissos. O cidadão acha que tem de sair de casa, trabalhar, ganhar dinheiro, fazer compras, fechar a porta e dormir, o resto que se dane. Eles não sabem que podem se comunicar entre si para resolver o problema do bairro”, disse.

Ela sugere ainda que o Poder Público e os meios de Comunicação da cidade, em conjunto, divulguem melhor a existência e o trabalho do COMDEMA, para maior conscientização da população sobre as atividades do órgão.

O que é o COMDEMA?

O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA) é o órgão consultivo, deliberativo, normativo e fiscalizatório do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, em âmbito municipal.

Em Poá, foi instituído em 1999, através da Lei nº 2744. O principal objetivo do órgão – em cujo colegiado há representantes do Poder Público e da Sociedade Civil – é assessorar o Poder Executivo nas questões inerentes ao meio ambiente e ao desenvolvimento urbano.

SOBRE A CRUMA

Desde sua fundação oficial na cidade de Poá, em maio de 1997, a CRUMA sempre focou seu trabalho na defesa do meio ambiente e na inclusão social, por meio da geração de trabalho e renda aos cidadãos menos favorecidos, social e economicamente.

Cooperativa pioneira na coleta organizada de resíduos sólidos no município, com seu Programa de Coleta Seletiva Solidária, a entidade sempre procurou o diálogo com o Poder Público e demais atores sociais para avançar na discussão de políticas públicas voltadas ao setor. Hoje a entidade luta por direitos amparados por lei, como a contratação da cooperativa e sua respectiva remuneração para fazer a Coleta Seletiva oficial na cidade.

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Fundador da Cooperativa de Reciclagem de Poá, Roberto Rocha conduzirá a Tocha Olímpica no Rio de Janeiro e participará da Abertura Oficial das Olimpíadas 2016

Por Samuel Ferreira

Na manhã dessa sexta-feira (5), o catador de materiais recicláveis, Roberto Laureano da Rocha, estará conduzindo a Tocha Olímpica no Rio de Janeiro, durante evento preparativo para o início das Olimpíadas 2016.

Rocha conduzirá a tocha a partir da Avenida Delfim Moreira, esquina com a Avenida Borges Moreira, no Leblon. O evento deve ocorrer às 10h00. Ele também participará da Cerimônia de Abertura Oficial desse grande evento mundial, prevista para ter início por volta das 19h00.

Um dos fundadores da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), sediada em Poá (SP), Rocha tem reconhecimento regional, nacional e internacional pelo seu trabalho em prol do meio ambiente, se destacando, inclusive, pela luta a favor das conquistas sociais de sua categoria.

Além de fazer parte da atual equipe gestora da CRUMA, ele integra a diretoria da Rede Cata Sampa e representa, em São Paulo, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O primeiro órgão é composto por cooperativas de reciclagem, que comercializam em conjunto; o segundo atua como braço político-social dos catadores.

Membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), ele ainda propõe, incansavelmente, a troca de sugestões para as possíveis soluções inerentes às questões ambientais no País.

Com o acúmulo de vasta experiência na área de materiais recicláveis e assuntos socioambientais, onde atua há mais de 20 anos, hoje Roberto ainda trabalha em diversos municípios e Cooperativas de Catadores, dando Consultoria para Coleta Seletiva e Logística Reversa.

Para Rocha, a atuação nesse evento representa algo importante em sua carreira, uma vez que terá a oportunidade de representar a periferia – de onde veio – e outros fatores essenciais de sua vida, como a família e a categoria dos catadores.

“Irei representar minha categoria, minha família, meu Estado e minha cidade, Poá”, afirmou.

“Eu me sinto bem, porque estou representando a categoria de catadores de materiais recicláveis neste momento importante da história do Brasil. Além disso, destaco a importância dos catadores nos espaços onde acontecem as modalidades esportivas, onde todo material reciclável gerado estará sendo operacionalizado pelas redes de cooperativas de catadores organizados”, finalizou.

Junto a Roberto, as catadoras Rosileide Nascimento e Jeane Santos também conduzirão a Chama Olímpica.  A primeira integra a cooperativa Coocamar, de Rio Grande do Norte; a segunda faz parte da Cooperativa Cooperbrava, sediada na Bahia.

As Olimpíadas no Brasil

Primeira Olimpíada na América do Sul, a Rio 2016 terá mais de 200 nações membros do Comitê Olímpico Internacional (COI). A competição terá mais de 10.000 atletas participantes.

O horário previsto para a abertura das Olimpíadas 2016 será às 19h15, com a realização de um show preliminar. A cerimônia oficial começará pontualmente às 20h00 e terá duração de 3 horas. A cerimônia de encerramento será no dia 21 de agosto, às 20h00, com duração de aproximadamente 2 horas.

Revezamento da Tocha Rio 2016

O revezamento da Tocha Rio 2016 tem a participação de 12 mil pessoas, cuja missão é conduzir a chama Olímpica pelo Brasil afora, ao longo de 95 dias. Mais de 300 cidades e os 27 Estados do País estão na rota, num total de 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas.

Acesa na Grécia, a chama é levada cerca de 200 metros por cada condutor, com parada final na cerimônia de abertura no Estádio Maracanã, onde será acesa a pira olímpica, para o início dos jogos.

Todos os condutores são pessoas que fazem a diferença, escolhidas em diferentes campanhas, pela atuação em suas comunidades ou no âmbito esportivo. Essas campanhas foram promovidas pelo Comitê Rio 2016 e pela Coca-Cola, Bradesco e Nissan, patrocinadores oficiais do revezamento.

Roberto Laureano da Rocha - Foto Samuel Ferreira

Roberto Rocha conduzirá a Tocha Olímpica no Rio de Janeiro

 

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Campanha ‘CRUMA CONTE COMIGO’ é lançada em Poá, com apoio do MNCR, Poder Público e demais entidades de classe

Durante lançamento oficial da campanha, lideranças dos catadores locais e representantes do Poder Público anunciaram as ações emergenciais em prol da reconstrução da cooperativa incendiada. Temas como a contratação direta da Cruma pela Prefeitura na Coleta Seletiva e cessão de nova área para construção de outra Central de Triagem foram abordados no evento.

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Durante evento, catadores de várias cooperativas prestam solidariedade à Cruma (Fotos: Samuel Ferreira)

Por Samuel Ferreira

Na manhã de quarta-feira (3), aproximadamente 150 pessoas compareceram ao lançamento oficial da campanha “CRUMA CONTE COMIGO”, feito pela Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA) e parceiros socioambientais. Realizado no auditório do Centro Cultural Taiguara, em Poá, o evento teve apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal, bem como diversas entidades de classe.

O objetivo da iniciativa é a arrecadação de recursos para auxiliar no processo de reconstrução do galpão e compra de equipamentos da cooperativa, cuja central de triagem, máquinas, caminhões e demais patrimônios foram destruídos pelas chamas durante o incêndio ocorrido em 11 de janeiro. Criada em 1996 e protagonista da coleta seletiva no município, hoje a instituição possui mais de 40 cooperados em seu quadro de trabalho.

O evento contou com a presença do prefeito de Poá, Marcos Borges; dos secretários Sidcley Lessa (Governo), José Edilson Marques Dias (Meio Ambiente) e da diretora de Meio Ambiente, Juliana Cardoso. Os vereadores Alexandre Provisor e Lázaro Borges também estiveram presentes, além de Adilson Santos, membro do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana de Poá (Comob).

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Apoio do Executivo: prefeito Marcos Borges (esquerda) acompanhou o lançamento da campanha em Poá

Durante o lançamento da campanha, lideranças dos catadores locais e representantes do Poder Público anunciaram a tomada de ações emergenciais em prol da reconstrução da cooperativa, bem como as atuais discussões relacionadas à contratação direta da Cruma pela Prefeitura, para a prestação do serviço de Coleta Seletiva oficial no município.

APOIO NACIONAL E INTERNACIONAL

Acompanhados de caravanas formadas por catadores de cooperativas de reciclagem da região do Alto Tietê, São Paulo e Guarulhos, representantes da Rede de cooperativas Cata Sampa, do Instituto Cata Campa e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) foram ao evento, em apoio e solidariedade aos ‘companheiros’. A Rede Latino Americana de Catadores também oficializou o apoio à campanha.

Com evidente sinal de um sensível estado emocional, no momento de sua fala, o presidente da Cruma, Wilson Secario (Kula) afirmou que não desejava falar nada, mas como foi convidado pelos colegas, se limitou a dizer que “vinte anos de Cruma foram destruídos em três horas” pelo fogo. Segundo Kula, ao longo dos anos, não houve apoio eficaz à cooperativa, por parte das esferas públicas municipais.

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Sensibilizado no momento da fala, Kula, presidente da Cruma, pede mais apoio à causa dos catadores na cidade

MOMENTO DE UNIDADE E FORTALECIMENTO

Em sua fala, o catador Roberto Laureano da Rocha, integrante da diretoria da Cruma, agradeceu o apoio recebido pelas cooperativas da Região do Alto Tietê, São Paulo e Guarulhos, além do apoio do Legislativo e Executivo local, por meio de seus representantes, bem como a solidariedade demonstrada pelas entidades de classe presentes ao encontro.

“Nós vamos nos reconstituir, com certeza, com a força e o trabalho de vocês, vamos nos tornar mais fortes e esse modelo de trabalho nosso vai fortalecer mais ainda as nossas cooperativas. Nós entendemos que esse momento também é um momento de unidade, em que nós estamos nos unindo, nos conhecendo e nos fortalecendo”, afirmou.

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Rocha: catadores precisam ser remunerados pelos serviços de coleta prestados ao município

REMUNERAÇÃO PELA COLETA SELETIVA MUNICIPAL

Entre as reivindicações feitas pelos catadores no evento, a primordial é a contratação direta da cooperativa Cruma pela prefeitura, para a realização da Coleta Seletiva oficial no município.

Roberto Rocha ainda lembrou que, embora não seja um bom exemplo, o fato ocorrido no galpão da Cruma comprova que as cooperativas de catadores de materiais recicláveis precisam ser remuneradas pelos serviços de Coleta Seletiva que prestam aos seus respectivos municípios, uma vez que, segundo ele, se elas não tiverem remuneração, não conseguem colocar um sistema de incêndio eficiente, entre outras prioridades.

“É importante para nós, autoridades e catadores, entender que os catadores de materiais recicláveis prestam um serviço e precisam receber por esse serviço. Se nós recebêssemos pelo nosso serviço, se tivéssemos uma remuneração um pouco melhor, com certeza não teria acontecido isso que aconteceu hoje”, disse.

Lembrando que chegou a ver o fogo, entrar no local e quase se queimar, junto às pessoas da comunidade, na tentativa de tirar os caminhões, Rocha advertiu que, quando o fogo se alastra dentro de uma cooperativa, é um negócio que parece um pavio de pólvora. Em relação à perda dos caminhões, a cooperativa não possuía recursos para pagar seguro.

“Isso é lição para nós todos, dentro dessa lição nós entendemos que na lição existe a união. Não é uma união de fazer açúcar, cai água e dissolve, mas é a união da força de pessoas, de governos e autoridades que estão presentes, da sociedade civil, de todos, dando as mãos juntas e dizendo ‘Cruma Conte Comigo!’”, finalizou.

AMPARO DO LEGISLATIVO

Representando o Poder Legislativo, o vereador Lázaro Borges lamentou o fato ocorrido, que provocou a paralisação parcial dos trabalhos da cooperativa. Disse reconhecer o trabalho que os catadores realizam na cidade.

“Infelizmente, o destino nos prega essas peças e eu quero aqui, em nome da Câmara Municipal, do nosso presidente e todos os vereadores, dizer que a Câmara está com vocês. Foi pedido pelo nosso amigo Adilson Santos (um dos apoiadores da campanha) e na próxima sessão vai ser feito um projeto de resolução para a Câmara, onde todo o material reciclável da Câmara Municipal de Poá será destinado à Cruma”, afirmou.

Ele manifestou a disposição dos vereadores em aprovar todos os projetos que o Executivo fizer em benefício da Cruma, para que, dessa forma, tanto a cooperativa quanto a cidade saiam ganhando.

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Borges: todos os projetos em benefício à Cruma serão aprovados pelo Legislativo municipal

“O senhor prefeito sabe disso e eu quero que vocês tomem conhecimento de que a Câmara está junto a vocês e, aquilo que vier, será aprovado pela Casa, e vamos dar toda aquela assistência ou apoio. Aquilo que vocês precisarem nos procurem, que estamos à disposição para ajudar de corpo e alma”, disse.

ACOMPANHAMENTO DA PASTA DE MEIO AMBIENTE

Denominando os catadores de “guerreiros e lutadores do meio ambiente”, o secretário de Meio Ambiente, José Edilsoncolocou o órgão à disposição da cooperativa, mormente nessa fase em que a entidade atravessa.

“O trabalho que vocês fazem é primordial para a cidade. Vocês conseguiram pegar o que seria uma ideologia, de fazer a reciclagem e tudo o mais, e concretizar. Vocês são pioneiros, guerreiros e trabalhadores do meio ambiente e têm todo o apoio da Secretaria de Meio Ambiente do município, para qualquer projeto que vocês queiram fazer”, disse.

De fato, através da diretora Juliana Cardoso, a pasta vem acompanhando de perto os trabalhos e ações da Cruma no município.

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Secretário Edilson: catadores são pioneiros, guerreiros e trabalhadores do meio ambiente

SONHO, ESPERANÇA E CORAGEM

Por sua vez, o prefeito Marcos Borges manifestou o apoio incondicional do Executivo aos propósitos da Cruma, não somente nos esforços para o trabalho de reestruturação da cooperativa, mas também no sentido de atender as perenes reivindicações da entidade, como a remuneração pelos trabalhos de Coleta Seletiva prestados ao município e a análise das condições legais para a cessão de nova área de trabalho aos catadores.

“Depois de duas grandes tragédias, uma enchente como nunca vista na história de Poá e arrasou a nossa cidade, e um incêndio que queimou e destruiu tudo aquilo que existia dentro da Cruma. Mas esse incêndio não conseguiu queimar três coisas: o sonho, a esperança e a coragem. E neste momento, neste dia, nós vemos aquilo que conhecemos como lenda se transformando numa realidade, como a Fênix renasceu, hoje a Cruma também renasce das cinzas, graças ao apoio, à coragem e à vontade que todos vocês têm demonstrado, no sentido de fazer e executar aquilo que cada um de vocês, um dia, escolheram, abriram os braços, pegaram, aceitaram e desenvolvem, com grande coragem e vontade, no sentido de fazer a nossa cidade melhor”, afirmou para as pessoas presentes.

“Podem contar com a prefeitura municipal de Poá. Enquanto o Marcos for o prefeito, conte conosco. Aquilo que era um sonho, eu vou dizer aqui para vocês, está se realizando. Já pedi para que os técnicos, juntamente procurando a Cruma, desenvolvam projetos para ver como que a prefeitura poderá remunerá-los pelos serviços que vocês prestam. Assim como nós pagamos as coletoras que recolhem os lixos da nossa cidade, nós temos obrigação de remunerar a Cruma, que presta um trabalho como esse, tirando do aterro sanitário grande quantidade de resíduos que podem ser reaproveitados”, disse ainda.

A respeito da possibilidade de novas instalações da Central de Triagem da cooperativa, Borges ofereceu esperança e certo otimismo para a questão. “Nós estamos estudando e vamos discutir até onde nós podemos avançar. Estamos com aquela área, que é um sonho da Cruma, pronta. Só basta preparar o projeto, para que nós possamos fazer essa parceria e construir um novo espaço”, concluiu.

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Marcos Borges: projetos de remuneração aos catadores e nova área da Cruma já estão em análise técnica

CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Em entrevista coletiva à imprensa, o prefeito ressaltou a necessidade do lançamento de uma campanha de conscientização e educação ambiental no município, devido à constatação de diversos exemplos de displicência da população nesse sentido.

“Você torna o cidadão mais consciente e ele começa a mudar hábitos até dentro de sua própria casa. Começa a tomar mais cuidado. Ele tem uma nova consciência, uma consciência moderna, é isso que nós precisamos”, disse Borges.

As ações teriam a iniciativa das secretarias de Meio Ambiente, Educação e Saúde, sendo acompanhadas pelas demais pastas, em suas respectivas obrigações.

Participarão da campanha “todas as secretarias, as escolas, a secretaria de Meio Ambiente, desenvolvendo projetos, todos participando desse objetivo”, afirmou.

LANÇAMENTO DE VÍDEO OFICIAL

Um vídeo oficial da campanha, cujos protagonistas são os próprios cooperados da Cruma, foi exibido aos expectadores. Apresentado pelo seu diretor, Leandro Nascimento de Souza (Leo Souza), o filme indaga, na voz dos catadores, se o telespectador já teve seus sonhos queimados, provocando, dessa forma, uma profunda reflexão e sensibilização. As cenas foram rodadas no próprio galpão destruído pelo fogo.

De acordo com Leo, além do vídeo de lançamento da campanha, virão outros, com a participação voluntária de artistas e demais personalidades famosas. O profissional exortou aos presentes que compartilhem o vídeo com amigos e familiares, fazendo com que essas pessoas também compartilhem.

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Diretor do vídeo oficial da campanha, Leo frisou que mais trabalhos serão realizados em prol da causa

Assim que esse vídeo começar a viralizar nas redes sociais será implementada uma ação através de doações coletivas, em uma plataforma grande. Num esforço de participação solidária, as ideias para a concepção do filme contaram com a opinião dos catadores.

“Nós fizemos uma reunião com eles e, através das palavras que eles escreveram em pequenos papéis, eu acabei criando esse roteiro. Eu já estou entrando em contato com diversos ativistas sociais, artistas de cinema, televisão, teatro, cantores, cantoras e gravando alguns depoimentos”, afirmou Leo, o qual frisou que o vídeo já está sendo proliferado para fora do Brasil.

EQUIPE DE MOBILIZAÇÃO

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Equipe de mobilização em prol da campanha: Elza, Juliane, Victoria, Madalena e Sueli

Roberto Rocha apresentou ao público cinco cooperadas responsáveis pela equipe de mobilização relacionada à campanha. Uma delas, a coordenadora da Cruma, Elza Maria Rodrigues, falou em nome do grupo.

“Eu gostaria de agradecer a oportunidade por estarmos aqui e todas as pessoas que estão conosco, as cooperativas que vieram. A Cruma quer contar com todos vocês. Todo o apoio que vier para nós será muito bem-vindo. Eu era uma pessoa muito doente e me curei na Cruma”, disse.

Além de Elza, integram a equipe de mobilização interna, as cooperadas Juliane Aguiar de Oliveira, Maria Victoria Pedemontes Espinosa, Maria Madalena Garcia Caldeira e Sueli dos Santos.

Uma das cooperadas fundadoras da Cruma, a coordenadora de Logística da Coleta seletiva, Alessandra Morais Ribeiro, falou aos demais catadores sobre as dificuldades enfrentadas no processo de fundação da cooperativa.

“Não tínhamos oportunidade de emprego, foi onde surgiu o sonho do Roberto e do Kula, que chamaram a gente para uma reunião, para montar a cooperativa. E aí começamos puxando nossos carrinhos. Muitas pessoas passavam por nós e nos chamava de a mulher do saco, o homem do saco, mas nós não tínhamos vergonha e não temos vergonha do que nós somos”, disse.

Ela contou que hoje fala para os seus filhos que tem muito orgulho de ser uma catadora e explicou que, se os catadores sentirem vergonha deles mesmos, eles nunca serão valorizados na sociedade.

“Hoje a minha palavra é, tristeza com esse incêndio sim, muito triste, porque você ver tudo aquilo que você construiu de repente virar cinzas, você fica muito triste, mas desanimar jamais. E vocês levam sempre isso com vocês, quando bater o desânimo lembrem-se que a gente começa do zero, mas amanhã a gente vai estar lá em cima, com a força do Senhor Jesus”, disse com convicção.

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Alessandra Morais e Marcos Antonio: orgulho de ser catadores de materiais recicláveis

Convidado para falar, o catador Marcos Antonio de Lima, vice-presidente da Cruma, agradeceu as pessoas presentes e disse que em horas como essa é possível saber quais são os verdadeiros parceiros dos catadores.

“Quando estamos lá em cima é muito fácil ver gente batendo nas suas costas, falar que é seu amigo, mas nessas horas é que a gente sabe quem é companheiro de verdade. Para mim é uma honra fazer parte da cooperativa Cruma. Eu entrei lá para trabalhar ainda jovenzinho, a minha primeira oportunidade”, disse, frisando que a satisfação maior dos catadores da Cruma será “o dia em que a gente poder sentar com a prefeitura e assinar o contrato de prestação de serviços”.

Em sua fala, o catador Eduardo Ferreira de Paula, presidente da Rede Cata Sampa e um dos representantes do MNCR, falou da importância de mobilização, força e apoio moral aos catadores nessa dura fase da Cruma.

“Aqui ninguém tem vergonha de ninguém, somos catadores, estamos na batalha. Deixamos as nossas bases e viemos aqui apoiar a Cruma. A primeira força tem de vir dos catadores, do catador para o catador, está no sangue. Todos nós e o MNCR estamos juntos com a Cruma”, disse.

APOIO ARTÍSTICO E CULTURAL

Para Marco Antônio Senna, presidente da Associação Cultural Opereta, o lançamento oficial da campanha CRUMA CONTE COMIGO realmente vai alavancar o processo de reestruturação e reconstrução da cooperativa.

Segundo sua visão, a demonstração de apoio sentida logo no lançamento da campanha, com a participação das entidades de classes, das autoridades, da sociedade civil, dá a total certeza de que a Cruma será reerguida,

“Eu tenho certeza de que já está tudo sendo preparado, porque são muitos queridos, é um trabalho fundamental, que eles desenvolvem em Poá há mais de 20 anos. Então só temos que dar nosso apoio e não é conte comigo, é conte conosco, Cruma Conte Conosco”, afirmou.

Com sede em Poá, a entidade cultural participará da campanha através de expressões artísticas e culturais, utilizando-se da linguagem teatral para sensibilização do público em eventos a serem programados.

“Nós viemos para isso hoje, para tentar entender como se dará essa campanha de mobilização em todos os níveis, em todas as esferas, e queremos levar para a discussão na diretoria da Opereta, de que maneira nós podemos contribuir mais efetivamente para que essas ações sejam colocadas em prática, no nosso caso através da cultura, das artes. Mas, com certeza alguma ideia já está sendo pensada, para que a gente possa colocar em prática”, disse.

A CAMPANHA

A campanha CRUMA CONTE COMIGO prevê ações sociais, artísticas e culturais no município e na região. A multiplicação do vídeo oficial e demais materiais por meio das redes sociais e demais mídias, busca uma abrangência nacional e até internacional.

Escolhido por uma comissão de catadores, o nome da campanha é homônimo do título precedido da hashtag idealizada em redes sociais pelo repórter fotográfico, blogueiro e ativista social Adilson Santos, iniciativa que logo criou corpo.

Além de ser um dos principais ativistas da campanha, Santos faz parte da equipe de articulação do projeto e colabora com a idealização do mesmo. Segundo ele, a mobilização em prol da reconstrução da Cruma não atinge somente esse tema propriamente dito, mas tem maior alcance, enquanto responsabilidade compartilhada.

“Eu tenho dito nas reuniões do Conselho Gestor e volto a dizer: a sociedade vê os catadores como pessoas que precisam catar o lixo reciclável e tem a visão de que eles sobrevivem do lixo que pode ser reciclável. Eu vou muito além disso: o pessoal da Cruma são soldados do meio ambiente”, afirmou.

Ainda segundo ele, os catadores fazem um papel que todos nós da sociedade deveríamos fazer, de aproveitar os recursos naturais que temos, de reciclar o máximo de coisas que nós pudermos. Por isso a sociedade deve abraçar essa ideia e todos nós participarmos.

“Quando ajudamos na reconstrução da Cruma não estamos ajudando somente na reconstrução ou os catadores, estamos ajudando a cada um de nós que vivemos no planeta Terra”, finalizou.

Além do título, o slogan da campanha é ‘Renascendo das Cinzas’, em referência à Fênix, ave da mitologia grega que, após um período de tempo, era queimada em uma pira e então renascia das próprias cinzas.

VISITA À COOPERATIVA DESTRUÍDA

Hinos de lutas do MNCR, palavras de ordem, expressão de esperança e abraços emocionantes nortearam o final do encontro entre os catadores e parceiros que, após a oração do ‘Pai Nosso’, se dirigiram à sede da Cruma, onde constataram os estragos causados na cooperativa pelo fogo.

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Parceiros da Rede Cata Sampa e MNCR exibem bandeiras do movimento em frente ao galpão destruído pelo fogo

Aos parceiros que visitaram o galpão destruído, Roberto Rocha disse acreditar em suas orações e esforços, uma vez que tais atitudes dão combustível para continuar, já que, segundo ele, não está sendo fácil. No entanto, não deixou de oferecer apoio aos colegas, caso precisarem do mesmo em suas causas sociais.

“Esse é o drama que estamos vivendo hoje aqui na Cruma. Qualquer coisa que vocês precisarem na região de vocês, pode contar com a Cruma, porque estamos aí também, em solidariedade a todos. Esperamos o quanto antes podermos novamente voltar aqui com isso diferente, reconstruído, as pessoas trabalhando, porque a coisa mais difícil é você não ter como trabalhar”, afirmou, salientando que “a gente brinca, canta, mas, no dia a dia só Deus sabe como é”.

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Após lançamento da campanha, simpatizantes visitam Central de Triagem destruída pelo fogo

CONSELHO GESTOR

Para acompanhar e fornecer informações sobre a aplicação dos recursos obtidos pela campanha foi formado um Conselho Gestor, composto por representantes do poder público, sociedade civil e cooperados da Cruma.

DEMAIS AUTORIDADES PRESENTES

Membros de outras autarquias do poder público municipal ainda representaram seus respectivos órgãos, como Ervandil Gonçalves, chefe da Secretaria de Serviços Urbanos (SSU); Ivanilda Felix, diretora de Assistência Social e Valkíria Alves de Oliveira, chefe de seção da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Representantes de organizações de sociedade civil, parceiros socioambientais e demais entidades de classe também prestigiaram o lançamento da campanha, dentre eles Genivaldo Barbosa, diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores Cooperados (FETRABRAS); Francisco Quintino, presidente da Associação Comercial e Industrial (ACIP) de Poá; Célio Demétrio, membro do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), além de Marco Antônio Senna, presidente da Associação Cultural Opereta.

O coordenador regional da Central dos Movimentos Populares (CMP) no Alto Tietê, Nilton Dell Valle Ribas, bem como o presidente do Instituto Augusto Boal (IFAB), Geraldo Garippo e Douglas Alves, membro do Conselho Estadual de Saúde e do Comitê de Pesquisa da Faculdade de Saúde da Universidade de São Paulo (USP), também foram solidários à causa e compareceram ao evento.

O poeta, repórter e ativista cultural Magno de Oliveira participou do encontro e, além da cobertura, representou a RAIZ – Movimento Cidadanista. O contabilista Alexandre Comitre e o advogado Paulo Elias da Silva, além do professor Milton Bueno não deixaram de apoiar a causa e se juntou aos catadores, que lotaram o auditório. A Polícia Militar no município foi representada pelo cabo Ricardo Rocha Hanashiro.

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Genivaldo Barbosa (primeiro à direita), diretor da FETRABRAS, fez presença no lançamento da campanha

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Vítimas da água e do fogo: através de faixa cooperativa demonstra solidariedade às vítimas das enchentes

 

 

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Cruma retoma atividades realizando triagem de materiais em bancadas improvisadas

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Triagem dos materiais está sendo realizada em local improvisado, nos fundos do galpão – Fotos: Samuel Ferreira

Por Samuel Ferreira

Após o incêndio que destruiu seu Galpão de Triagem no último dia 11, a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA) está apenas recebendo materiais da população e de ecopontos de supermercados, pois a Coleta Seletiva – em residências e comércios – está temporariamente paralisada, devido à queima dos caminhões.

A triagem dos recicláveis está sendo realizada, provisoriamente, em bancadas improvisadas nos fundos da construção, ao lado dos escritórios, único local que não foi atingido pelo fogo, devido à ação do Corpo de Bombeiros.

Para as coletas nos Posto de Entrega Voluntária (PEV), instalados em supermercados de Poá e região, foram disponibilizadas duas caminhonete HRs pela Rede Cata Sampa, parceira da cooperativa, uma vez que, nesses ecopontos, os materiais depositados pela população não podem permanecer por muito tempo.

Com prensas queimadas e danificadas, fica difícil para os cooperados na formação dos fardos, fator que agregava valor ao material beneficiado. Dessa forma, os catadores apenas se limitam a separar os materiais por tipo e categoria, antes de encaminhar para a indústria compradora.

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Sem prensas, volume de material prejudica a logística e deixa de agregar valor aos materiais comercializados

Nesta segunda-feira (25), uma reunião de trabalho realizada entre a Cruma e a Secretaria de Meio Ambiente de Poá tratou do Planejamento de Reestruturação da CRUMA.

Dentre os itens discutidos estão a retomada da Coleta Seletiva no município; a reestruturação da área operacional e a destinação de uma área mais adequada para construção de um centro de Coleta Seletiva.

Temas como Logística Reversa Municipal, Prestação de Serviços da Coleta Seletiva Solidária porta a porta e ecopontos no município também foram discutidos com a diretora de Meio Ambiente Juliana Cardodo.

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Baias para separação dos materiais foram improvisadas no fundo da construção

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Sacos de materiais recicláveis aguardam destinação final

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Área localizada nos fundos da cooperativa é utilizada para se evitar a paralisação total das atividades

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Catadoras trabalham no serviço de triagem e armazenamento de materiais recicláveis

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Apesar de improvisado, trabalho no local é mantido em ordem e limpeza diária

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Pequena balança é utilizada para a pesagem dos bags cheios de materiais

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COMUNICADO

Comunicado CRUMA-01

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Abalados, catadores lamentam desolação causada por incêndio na Cruma

Incêndio Cruma - Fotos Samuel Ferreira (71)

Apesar da tristeza e preocupação, catadores se unem para recomeçar tudo – Foto: Samuel Ferreira

Por Samuel Ferreira

A tarde do dia 11 de janeiro de 2016 jamais será esquecida pelos catadores que atuam na Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), localizada no bairro Calmon Viana, em Poá.

No final de mais um dia de trabalho e problemas resolvidos, eles viveram a realidade do pior pesadelo de quem trabalha com materiais recicláveis: um incêndio em grande proporção no Galpão de Triagem e Armazenamento. Por sorte, ninguém estava no local, pois já haviam fechado o expediente.

Apesar da boa intenção dos vizinhos e alguns catadores em se dirigir ao local e tentar conter as chamas iniciais, o fogo se alastrou rapidamente e nem mesmo a pronta ação dos soldados do Corpo de Bombeiros – que, segundo testemunhas, chegaram ao local em aproximadamente 15 minutos – foi capaz de impedir a destruição do fruto de um intenso trabalho, iniciado nos anos 90, em um pequeno galpão na Vila Varela.

Incêndio na cooperativa Cruma - Imagem e Vídeo de Samuel Ferreira (110)

Centro de Triagem da cooperativa ficou completamente destruído pelo fogo – Foto: Samuel Ferreira

Contudo, a ação heróica desses combatentes do fogo impediu que as chamas atingissem a guarita frontal e os compartimentos onde estão instalados os escritórios da cooperativa, nos fundos da área construída. No demais, além das estruturas do galpão, tudo o que havia em seu interior, como quatro prensas, empilhadeira, paleteira, caçamba, esteira, máquinas, equipamentos e muito material reciclável, foram completamente queimados, bem como os quatro caminhões estacionados no pátio.

Uma das vizinhas da cooperativa, a dona de casa Gislaine Alves da Silva Souza, de 53 anos, lamentou o fato ocorrido e fez um rápido relato sobre o momento em que sua família percebeu o princípio de incêndio na cooperativa.

“Eram seis e vinte da tarde quando o fogo começou a se alastrar. Meu marido saiu correndo para ver se tentava tirar os caminhões, arrombar os portões, porque não tinha as chaves. Era só explosão, explosão, aquela multidão, todo mundo querendo pular o muro para salvar a Cruma”, afirmou.

Tristeza e desolação

Um dia após o lamentável acontecimento, cuja notícia repercutiu na imprensa local e regional, bem como em redes nacional e internacional, respectivamente, os catadores aparentavam ainda não acreditar no que estavam vivendo. Ao mesmo tempo em que sentiam a dor da perda do patrimônio e do próprio local de trabalho, expressavam preocupação quanto ao futuro de suas famílias, pois a reciclagem era a única fonte de renda disponível a eles.

Prova disso é o catador Luís Antonio Neves, de 49 anos, um dos cooperados mais antigos da Cruma que, assim como os demais companheiros, externou sua angustiante preocupação com o amanhã.

“Perdi meu ganha-pão, meu sustento. Agora não tenho para onde ir, estou desempregado. Agora quero ver como eu vou fazer sem trabalhar”, disse, sentado na calçada e com patente expressão de tristeza na face.

Incêndio na cooperativa Cruma - Imagem e Vídeo de Samuel Ferreira (47)

Um dos caminhões da cooperativa destruído pelo fogo: patrimônio perdido – Foto: Samuel Ferreira

Por sua vez, a colega de trabalho Maria Madalena não tem reação diferente de Neves: “Estou me sentindo triste, precisamos de uma ajuda do prefeito, pelo menos um local adequado para nós podermos trabalhar e sobreviver. Eu e meus companheiros dependíamos desse local de trabalho destruído”.

Além da perda do galpão e equipamentos, ela sofreu com a situação de calamidade pública provocada pelas constantes chuvas na cidade, uma vez que a enchente atingiu seus móveis e mantimentos.

“Nós não morremos, estamos vivos, então não acabou tudo”

Embora igualmente abalada, a coordenadora da cooperativa, Elza Maria Rodrigues, 58, entende que, apesar da perda material e do abalo emocional dos catadores, todos precisam se unir para recomeçar tudo e acreditar que o sonho de uma vida mais digna ainda não acabou.

“Meu astral abaixou totalmente. Na hora em que vi tudo aquilo, eu pensei ‘acabou’, mas, depois eu pensei: ‘nós não morremos, estamos vivos, então não acabou tudo’. Vamos recomeçar de novo, mais fortes e firmes no que estamos fazendo, ajudando a comunidade, nós e o meio ambiente”, disse.

“A prefeitura começou a nos ajudar, já é um bom começo e vamos tentar ver se eles ajudam mais ainda”, afirmou, se referindo à limpeza dos resíduos queimados iniciada pela prefeitura no galpão da cooperativa na quarta-feira (13). “Nós temos, diretamente, 45 famílias que trabalham aqui e indiretamente 150 pessoas que dependem dessa cooperativa”, finalizou.

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Vista parcial do lado externo do Centro de Triagem: chamas se propagaram rapidamente – Foto: Samuel Ferreira

Apesar da triste realidade, no dia seguinte ao incêndio, os catadores fizeram uma reflexão e concluíram que um trabalho construído há 20 anos não poderia sucumbir frente às forças negativas, por maior que fosse. Assim, se reuniram e resolveram buscar soluções para, ao menos, amenizar o sofrimento que viria pela frente.

Um grupo de aproximadamente 20 catadores, se organizou, confeccionou cartazes e se dirigiu à prefeitura. Os catadores foram recebidos pelo prefeito Marcos Borges e solicitaram a elaboração de um plano emergencial, unilateral, com tomada de ações imediatas, com a finalidade de evitar a total paralisação dos trabalhos de coleta seletiva e triagem dos catadores.

Parte dessa iniciativa teve início na manhã seguinte à reunião com o prefeito, quando, após o pedido dos representantes da Cruma, um trator da prefeitura iniciou a remoção do material queimado, que foi depositado em uma caçamba da empresa Pioneira, para a correta destinação.

Incêndio na cooperativa Cruma - Imagem e Vídeo de Samuel Ferreira (8)

Trator enviado pela prefeitura remove material reciclável queimado pelo fogo – Foto: Samuel Ferreira

Gestos de Solidariedade

Desde a notícia do incêndio, estão ocorrendo diversas manifestações de solidariedade e apoio aos catadores, tanto pessoal, quanto nas redes sociais. Até mesmo uma campanha de doação financeira ou de alimentos à Cruma está sendo proposta por simpatizantes da causa, como o ativista social, repórter fotográfico e blogueiro Adilson Santos, protagonista da ação, com a hashtag #crumacontecomigo.

Diante disso, dirigentes da Cruma sugerem a criação de uma comissão paritária, composta por representantes da cooperativa, do poder público e da sociedade civil, a fim de acompanhar as doações, bem como a destinação das mesmas, com publicação em sites e redes sociais.

Comovidos com a causa, dirigentes da ‘El Sabor Paleteria’ publicaram em redes sociais que todo o lucro obtido com as vendas de sorvetes nos dias 13, 14 e 15 de janeiro será doado à cooperativa. A sorveteria fica situada na Avenida Vital Brasil, 381, na região central de Poá.

A Cruma é considerada de utilidade pública e mantém convênio e parceria com o Poder Público.  Alterações nesse convênio, para melhor atendimento aos catadores, também foram discutidas com a prefeitura, cujas conversações serão retomadas numa reunião a ser realizada no próximo dia 29.

Enquanto os fatos se desenrolam, essas famílias de catadores buscam reunir forças para suportar a dor e superar esse difícil ciclo, sempre ‘unidos pelo meio ambiente’, como sugere o próprio nome da cooperativa.

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Caminhão destinado à Coleta Seletiva atingido pelo incêndio: atividades estão paralisadas – Foto: Samuel Ferreira

 

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Caminhão destinado à Coleta Seletiva atingido pelo incêndio: atividades estão paralisadas – Foto: Samuel Ferreira

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Única empilhadeira a gás utilizada na logística do galpão – Foto: Samuel Ferreira

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Prensas para a produção de fardos ficaram afetadas pelas chamas – Foto: Samuel Ferreira

 

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Incêndio de grande proporção destrói galpão da cooperativa Cruma

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Galpão de Reciclagem da cooperativa ficou totalmente destruído pelo fogo – Foto: Samuel Ferreira

Por Samuel Ferreira

Na tarde desta segunda-feira (11), um incêndio de grandes proporções atingiu as instalações da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), situada no bairro Calmon Viana, em Poá (SP).

O fogo, que começou por volta das 18h00 e consumiu todo o material altamente inflamável que estava armazenado no galpão de reciclagem da cooperativa, produziu uma grande cortina de fumaça e foi controlado pelos homens do Corpo de Bombeiros, que disponibilizou quatro viaturas.

Fardos de papel, papelão, garrafas PET e demais materiais de fácil combustão contribuíram para a propagação das chamas. Não houve vítimas, uma vez que os cooperados, que terminam o expediente às 18h00, já não estavam mais no local no momento do incidente.

A Defesa Civil de Poá auxiliou os bombeiros durante o combate às chamas. Prensas, empilhadeiras e três caminhões, além de outros equipamentos, foram destruídos pelo fogo. As causas do incêndio serão investigadas pelas autoridades competentes.

 

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CRUMA volta a receber cestas básicas da Prefeitura de Poá

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Prefeito Marcos Borges faz a entrega formal do benefício aos cooperados da Cruma (Fotos Samuel Ferreira)

Paralisada desde o final de 2014, por questões burocráticas, cessão de cestas básicas aos cooperados se tornou parte do convênio existente entre a Cruma e a Prefeitura

Samuel Ferreira

Na manhã de sexta-feira (17), o prefeito de Poá, Marcos Borges (o Marcos da Gráfica), fez a entrega de 45 cestas básicas aos cooperados da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), situada no bairro Calmon Viana.

Acompanhado do secretário Rubens Souza (Trânsito) e assessores de Comunicação, Borges foi recebido pelo diretor-presidente da cooperativa, Wilson Secario (o Kula), por Marcos Antonio de Lima (vice-presidente) e pela coordenadora Elza Maria Rodrigues, além dos demais cooperados.

No evento, onde foi feita a entrega formal das cestas aos catadores, Borges ressaltou que, apesar de existir uma parceria entre a prefeitura e a Cruma, muito mais precisa ser feito a favor da entidade, cujo trabalho é de muita importância para a cidade.

“Tudo aquilo que é retirado e reciclado para ser reaproveitado, deixa de ir para os aterros e a prefeitura deixa de pagar, promovendo uma economia. Então, eu acho que essa parceria, as cestas básicas e algumas coisas a mais, ainda são poucas, como já conversamos algumas vezes. Nós podemos ir conversando, discutindo, estreitando e melhorando esse relacionamento, porque reconhecemos a importância do trabalho de cada um”, afirmou.

“Depois de um bom tempo nós conseguimos resolver todas as dificuldades burocráticas e hoje estamos fazendo essa entrega com muita felicidade. É uma ajuda a mais para vocês, parabéns e Deus abençoe”, disse ainda.

O chefe do Executivo frisou que a coleta de recicláveis, além de gerar renda para os catadores, se torna um grande benefício para a cidade, bem como demonstra ser um trabalho importante para a preservação do meio ambiente.

Ao falar em nome da Cruma, Kula agradeceu ao prefeito pela iniciativa e ressaltou a necessidade de a atual gestão continuar dando apoio aos projetos da cooperativa. Disse ainda que é preciso retomar as ações pioneiras, garantidas no primeiro convênio com a prefeitura e que foram sendo esquecidas ao longo dos anos pelos gestores públicos.

“Enquanto Cruma nós estamos pedindo carinhosamente atenção a esse povo aqui, que tem 45 famílias dependendo desse trabalho e do projeto que temos com a prefeitura. Nós gostaríamos que o senhor, nessa nova etapa como prefeito da cidade, olhasse carinhosamente para os projetos da gente”, afirmou.

COLETA SELETIVA NA CIDADE

O gestor ainda comentou sobre a competência da cooperativa em realizar futuramente a Coleta Seletiva oficial da cidade, prioridade garantida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

“Hoje, prefeito, nós ainda provamos que somos capazes de fazer a Coleta Seletiva na cidade, sem precisar contratar empresa para fazer a coleta. Nós ganhamos muita estrutura do Governo Federal, mas não adianta termos muita estrutura se não termos espaço para andar”, afirmou, sinalizando um pedido de apoio ao poder público.

A instalação de ‘ecopontos’ na cidade também foi discutida entre Kula e Borges, que anunciou a pretensão de se instalar dezenas deles, apesar da dificuldade orçamentária atual.

“Tenho pedido para todos os secretários ver na sua secretaria todos os projetos, para que no próximo ano nós possamos ter um orçamento adequado para atender as necessidades. Da mesma forma, já falei com o secretário de Meio Ambiente, colocando a Cruma como uma parceira integrada nesse processo, para que nós possamos trabalhar em conjunto. Quem ganha com isso somos todos nós, principalmente a cidade”, afirmou.

MESES DE ESPERA

Paralisada desde o final de 2014, à espera de renovação contratual entre a prefeitura e a empresa vencedora da licitação para fornecedor os produtos – entre outros trâmites burocráticos -, a concessão de cestas básicas à CRUMA teve início em 2013, após algumas reuniões entre a cooperativa e o poder público. Na época, após um parecer jurídico, a prefeitura elaborou um Termo de Aditamento Contratual ao Convênio já existente com a Cruma, dando início ao processo.

No entanto, ao final do contrato, previsto para 12 meses, a entrega das cestas foi suprimida e a prefeitura informou, através da secretaria competente que, para continuar a receber o benefício, a cooperativa teria de expressar formalmente seu interesse na continuidade do mesmo, através de um ofício.

Entretanto, mesmo após protocolar o documento solicitado, os cooperados tiveram de esperar quase nove meses para voltar a receber as cestas e, dessa forma, se sentiram prejudicados em seu orçamento doméstico, uma vez que parte da renda obtida com a comercialização dos recicláveis teve de ser aplicada no suprimento dessa necessidade básica. Com essa retomada, as cestas básicas serão entregues mensalmente à cooperativa, por tempo indeterminado.

UTILIDADE PÚBLICA

Declarada de Utilidade Pública através da Lei nº 2699, de 31 de Março de 1999, a Cruma tem condições de gozar de todos os benefícios e vantagens concedidas às demais entidades reconhecidas na cidade.

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Kula pediu apoio à Cruma e afirmou que a cooperativa pretende fazer a Coleta Seletiva oficial na cidade

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Entrega de cestas básicas à Cruma teve início em 2013, parou no final de 2014 e foi retomada agora

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Parceria socioambiental: prefeito Marcos Borges abraça a cooperada Madalena durante visita à Cruma

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Cooperativa Cruma é invadida novamente e revolta catadores

Por Samuel Ferreira

Há apenas três dias após ter os escritórios e o refeitório arrombados por desconhecido, a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente – CRUMA, situada no bairro Calmon Viana, em Poá, foi novamente invadida, deixando os cooperados inseguros e revoltados com a situação.

A ação dos criminosos ocorreu na madrugada de quinta-feira (4), onde foi arrombada a porta de uma sala destinada ao controle da balança rodoviária, local onde também são depositados objetos, equipamentos e demais materiais utilizados para o trabalho na cooperativa.

Segundo os cooperados, os assaltantes levaram, inclusive, mais baterias dos veículos de coleta, a exemplo do furto anterior. Panelas com restos de comida, furtadas do refeitório, foram abandonadas pelos larápios no pátio.

Até a porta da guarita existente junto ao portão de entrada dos caminhões foi forçada na ação. Apesar de ficar no alto, em local de vista privilegiada, essa guarita nunca foi utilizada para a finalidade de vigilância, desde a construção do atual galpão da cooperativa, há pouco mais de dois anos.

Inconformados com os fatos, os cooperados da Cruma pediram uma busca de solução junto ao poder público, para que o problema de segurança do local seja resolvido, entre outras demandas.

Sem esconder a indignação, Alessandra Morais, 42, uma das mais antigas cooperadas, afirmou que está totalmente decepcionada com a situação. “Mais uma vez a gente luta, luta, luta e, quando chega aqui de manhã, acha o que a gente achou hoje: a revolta total de todos os catadores da cooperativa”, afirmou.

Ainda na quarta-feira (3), após o furto anterior, a cooperativa recebeu a visita do secretário de Segurança de Poá, Carlos Setsuo, que ouviu os catadores e afirmou que tomará as providências cabíveis para que se possa resolver o problema de segurança do equipamento.

A respeito da atuação do poder público, Alessandra se mostra esperançosa: “Nós fazemos serviços para a população, para a prefeitura. Então nada é mais digno de eles reconhecerem o nosso trabalho. Eu creio que eles vão rever o convênio, ver no que podem ajudar a gente e entrar com providência o mais rápido possível”.

As mulheres da Cruma compõem 90% do quadro de cooperados. De poucas condições econômicas, elas trabalham duramente para garantir o sustento de seus filhos. “Não é fácil você sair da sua casa às sete horas da manhã para vir trabalhar, voltar tarde da noite, chegar outro dia e não encontrar mais nada”, desabafa novamente Alessandra.

Segundo furto na Cruma em Junho-2015 (2)

Porta da sala de controle é arrombada dois dias após o primeiro furto.

Segundo furto na Cruma em Junho-2015 (4)

Sala da guarita forçada na volta dos desconhecidos à cooperativa

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Ladrões arrombam escritórios da Cruma e levam tudo que conseguem

Furto cooperativa Cruma - Escritório principal todo revirado - Fotos Samuel Ferreira (4)

Samuel Ferreira                                                                               

Na madrugada de terça-feira (2) ladrões invadiram a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), situada no bairro Calmon Viana, em Poá, onde furtaram diversos equipamentos eletrônicos, como computadores, impressoras e até uma câmera fotográfica, entre outros objetos localizados nos escritórios e no refeitório, respectivamente.

O resultado da ação dos desconhecidos foi constatado às 7h30, horário de chegada dos cooperados à cooperativa, momento em que eles se depararam com as grades das janelas cortadas e retorcidas, portas e armários arrombados, vidros quebrados e diversos papéis, documentos, pastas e arquivos espalhados pelo chão.

Ainda segundo os cooperados, os criminosos também levaram arquivos e documentos relevantes da cooperativa, cujos armários e as gavetas das escrivaninhas foram totalmente revirados, sendo subtraídos dinheiro e talões de cheque. Até mesmo a baterias dos caminhões, que dão suporte à Coleta Seletiva, foram furtadas, atrasando a logística de coleta nos grandes e pequenos geradores.

Segurança escassa

O fato preocupa os trabalhadores da Cruma, os quais já sofreram esse tipo de dano por duas vezes após o começo das operações no novo galpão, situado à Rua Angatuba, próximo à antiga sede, desapropriada para dar lugar à passagem do Rodoanel Mário Covas.

Alguns deles acreditam que a existência de um extenso matagal nos fundos, rente ao muro do equipamento, e os vãos entre as colunas do anel viário, bem como entulhos e sujeira, contribuem para a ação de meliantes no local, com pouca iluminação à noite. Não houve arrombamento dos portões da cooperativa e um display utilizado como ‘escada’, esquecido rente ao muro dos fundos, indica que a passagem do material subtraído se deu por aquele local.

De acordo com a coordenadora da cooperativa, Elza Maria Rodrigues, à escassez de segurança externa no local e a segurança interna é insuficiente.

“Aqui falta segurança, nós pagamos um segurança, mas ele não fica aqui todos os dias. Aqui tem muito mato e muita gente embaixo do viaduto. Antes nós tínhamos seguranças da prefeitura, mas o ‘Testinha’ e o Marcos nunca mais mandaram a segurança para nós. Eles prometeram e não cumpriram”, afirmou, se referindo a Francisco Pereira de Sousa e Marcos Borges, anterior e atual prefeito da cidade, respectivamente.

A coordenadora discorre sobre a retirada dos vigilantes pela administração anterior, os quais atuavam na Cruma por força do convênio existente com a prefeitura. Na época, a prefeitura alegou haver necessidade de remanejamento dos profissionais de seguranças – da então empresa Paineiras, concessionária do serviço – para atenderem outras demandas de equipamentos públicos.

Na verdade, a gestão anterior e a Cruma chegaram a se reunir para discutir uma possível atualização do defasado convênio, onde poderia, após análise jurídica, haver a possibilidade de um subsídio à cooperativa, já que a mesma é declarada de utilidade pública e de interesse social.

Em dezembro de 2014 houve uma reunião da Cruma com a atual gestão municipal, a qual se prontificou a analisar e dar continuidade ao assunto. No entanto, pouco mais de cinco meses se passaram, sem avanço no tema.

Preocupada com a situação, a coordenadora chegou a fazer um apelo: “Agora nós necessitamos da prefeitura, das autoridades e também contamos com as empresas próximas para nos ajudar, porque agora não temos equipamentos para trabalhar. Levaram nossos computadores, impressoras, botijão de gás e até nossos alimentos”.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia da cidade, onde deve ser encaminhado para o Setor de Investigação.

Furto cooperativa Cruma - Armário do escritório central - Fotos Samuel Ferreira (3) Furto cooperativa Cruma - Escritório central - Fotos Samuel Ferreira (25) Furto cooperativa Cruma - Fotos Samuel Ferreira (15) Furto cooperativa Cruma - Fotos Samuel Ferreira (24) Furto cooperativa Cruma - Janela por onde entraram no escritório principal Fotos Samuel Ferreira (11) Furto cooperativa Cruma - Local de entrada dos meliantes Fotos Samuel Ferreira (17) Furto cooperativa Cruma - Local de escape Fotos Samuel Ferreira (23) Furto cooperativa Cruma - Porta da Sala de Reunião arrombara Fotos Samuel Ferreira (10) Furto cooperativa Cruma - Porta do escritório arrombada - Fotos Samuel Ferreira (1) Furto cooperativa Cruma - Porta do refeitório arrombada Fotos Samuel Ferreira (13) Furto cooperativa Cruma - Sala de logística e Comunicação - Fotos Samuel Ferreira (2)

 

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